quarta-feira, 3 de outubro de 2018

#cidades

Diferentes personagens encaram realidades distintas

no metrô do Recife
Entre uma viagem e outra várias histórias se cruzam.
Por: Maxmiliano Augusto  
02 out 2018  
 Registro dos vários personagens encontrados nas estações e trens


 Márcio (41) era serralheiro montador. Hoje começa um novo trabalho: vender brigadeiros
nos terminais e estações de trem. Acompanhado da filha de 11 anos ele reconhece que é
um novo desafio. "Não pode ter vergonha de trabalhar”.  Para Márcio o metrô é se reerguer.
 "Por volta de 21h30, entre Monte dos Guararapes e Prazeres, entraram três rapazes e
roubaram o celular de cada um no vagão. Acho que tinham umas dez, quinze pessoas.
E isso foi um momento bem chato porque eu ainda tava pagando o celular. Desse dia
em diante eu até evito sair com ele." Para o analista de sistemas Paulo (32), o metrô
é perigoso.
 Um dos mais antigos funcionários da estação central, que não pôde se identificar,
mostrou os esforços para manter a limpeza nas estações. Uma pilha de lixo
(nomeada lixômetro) foi colocada próximo a entrada para conscientização do descarte
correto de embalagens e garrafas. Na visão dele, os ambulantes têm parcela de culpa
tanto na questão da higiene quanto da segurança. E com o quadro de funcionários
reduzido, manter a ordem está cada vez mais difícil. Para ele o metrô já foi melhor.
 Quando questionada sobre a utilização desse transporte, Solange (50) foi direta:
"É horrível. Por ter paralisia infantil eu não tenho força nas pernas e em um braço.
Eu moro ali perto da estação de Antônio Falcão. E como minha dificuldade é no andar
tenho que pegar o metrô por conta disso. Mas as condições aqui já sabe como é, né?
Sempre lotado e as pessoas não respeitam. Mas infelizmente é o único jeito de ir pr
hospital". Para a atendente de telemarketing, que já trabalhou no Grande Recife, o
metrô é necessidade.
 Há três anos vendendo salgado no metrô, Valdécio (45) é querido por todos.
"Tô sempre ajudando quando posso". Depois que perdeu o emprego de serviços
gerais em SUAPE, passou um ano na busca de outra oportunidade que não apareceu.
Mesmo sabendo que não tem segurança nas estações, reconhece que seria difícil
encontrar outra fonte de renda. Para Valdécio o metrô é o sustento.
 Para mim, andar de metrô é rotina. É um meio para procurar emprego, para ir estudar,
para correr riscos e conhecer essas pessoas. Para a Companhia Brasileira de Trens
Urbanos (CBTU) é um negócio como qualquer outro.
 Vinculada ao governo federal, a CBTU opera em Belo Horizonte, João Pessoa,
Maceió,  Natal e Recife. Aqui na capital pernambucana, um aumento de 87,5% nos bilhetes
provocou indignação de boa parte dos passageiros. A justificativa dada pela companhia
foi de haver repasse de investimentos da União a médio e longo prazo. Três meses
depois não houve melhora perceptível e a insegurança persistia.

 Até o fechamento desta matéria a assessoria de comunicação da empresa
não respondeu nossas solicitações para maiores esclarecimentos sobre os personagens
e a atual situação do metrô.

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